Semifinalista no Prêmio Jabuti 2025
- Jean Sartief
- há 6 dias
- 2 min de leitura

Não posso começar esta postagem sem falar da alegria que foi compartilhar com Rita Machado, minha editora, pelo Giro selo artístico, este momento de ter meu amado livro Desrazão indicado como semifinalista ao Prêmio Jabuti, na categoria Eixo Editorial - Capa, compondo a participaão em um dos mais importantes prêmios da literatura brasileira. Além da obra se destacar por reunir um conjunto de poemas que investigam as tensões entre racionalidade e emoção, propondo uma reflexão sensível sobre as inquietações do mundo contemporâneo, traz uma fotografia autoral na capa que traduz perfeitamente o título e a composição de uma linguagem intensa. Vale lembrar que o livro dialoga com temas como memória, desejo, crise social e identidade.
A presença de Desrazão entre os semifinalistas do prêmio reforça a relevância da obra no cenário literário atual e evidencia a força da fotografia potiguar como espaço de questionamento e expressão artística. Ao abordar as contradições da experiência humana em tempos de instabilidade e excesso de informações, a indicação também consolida a trajetória poética visual de Jean Sartief e amplia a projeção de seu trabalho entre leitores, críticos e instituições literárias.
O ovo, símbolo clássico de origem, potencialidade e mistério, aparece aqui como um objeto indecifrável: sua superfície lisa impede o olhar de acessar o que existe dentro, reforçando a ideia de que há dimensões da experiência humana que resistem à transparência e à explicação imediata.
Nesse sentido, a imagem dialoga com o conceito de Opacidade, desenvolvido pelo pensador martinicano Édouard Glissant, para quem nem tudo precisa ser plenamente decifrado para existir ou se relacionar. Venho me relacionando com este conceito desde a publicação do meu livro O Mar Sou Eu, em 2010, ou até um pouco antes com a diagramação não linear no livro Na Boca das Tuas Palavras, 2004. Mas, não posso deixar de relembrar que a fotografia da capa também é uma homenagem ao também poeta e artista visual catalão Joan Brossa.
A capa de Desrazão sugere justamente essa convivência com o enigma: o objeto está diante do leitor, visível e cotidiano, acessível e não acessível, mas permanece indevassável em seu interior. Há uma suspensão na imagem. Não uma mão que movimenta o abridor de garrafas, mas algo ainda assim é sugerido. Por outro lado, os objetos aparentam uma unidade ao invés de dois objetos separados e repousam em uma tábua de carne que traz riscos de cortes. Assim como nos poemas do livro, a imagem convida a aceitar aquilo que não se revela por completo, mas que ainda assim produz sentido, inquietação e beleza.





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